I Seminário Instituto Racionalidades

As Humanidades no Contemporâneo: uma aposta política nas diferenças

Apresentação

O I Seminário Instituto Racionalidades – As Humanidades no Contemporâneo: uma aposta política nas diferenças é um evento que tem como objetivo discutir as questões éticas e políticas que envolvem nosso tempo presente. Trata-se de lançar luz sobre os modos como nos constituímos sujeitos em tempos tão difíceis como esses que vivemos no contemporâneo. Esmaecimentos nas questões públicas, esfacelamento de políticas da vida, ataques à ciência e ao campo das humanidades são questões que vimos cotidianamente. Como um modo de resistência, estamos nós, estudiosos e pesquisadores que se dedicam a criar fissuras no pensamento e potencializar modos de vida outros que nos joguem para o exercício da inventividade. Não se trata de desanimar; pelo contrário, trata-se de ampliar as forças e criar movimentos de práticas políticas que nos coloquem a, no barulho da coletividade, existir e conviver em tempos de pandemia, arrancando de cada um de nós a dor do pensamento para, quiçá, criar possibilidades outras; afinal, como nos diz Deleuze “um criador só cria aquilo que tem absoluta necessidade” (1990). Estamos carentes de outros tempos e outras invenções, somos empurrados ao abismo (NIETZSCHE, 2004) e a pergunta é “o que fazer?!”. Dessa pergunta pode nascer a dor do pensamento, o exercício da problematização. O convite é para que tu te unas a nós. No ato da conversação e da ética amiga podemos criar espaços outros de convívio e existência coletiva. Essa é a nossa aposta. E a tua, qual é? 

Conferencistas e mesas temáticas

Filosofias da Diferença e o exercício político nas humanidades

Oswaldo Giacoia Jr & Tony Hara 


Subjetividades e políticas no contemporâneo

Ana Colling & Silvio Gallo


O esfacelamento da Ética e da Política em tempos de fascismo

Edson Passetti & Mariano Narodowski

Programação

Data do evento: 9, 10, 11 de novembro de 2021

Inscrições: a partir de 26 de agosto de 2021

Valor do evento: ver tabela (final da página)

Local: totalmente on-line

Inscrições de trabalho: a partir de 26 de agosto a 01 de novembro (Resumo expandido) 

Eixos Temáticos

Eixo 1 – Ética e Políticas nas Humanidades (Profa. Dra. Gisele Silva. Instituto de Educação. FURG/RS).

As relações entre a ética e a política nos tempos atuais é o que se dedica esse eixo. Busca-se analisar as políticas públicas que esfacelam as problemáticas vividas no contemporâneo. Atenta-se para as humanidades e sua potência de criação para tensionar nosso presente.

 

Eixo 2 – Educação, Filosofia e Arte (Profa. Ma. e Doutoranda Jéssica Hencke. PPGEA/FURG).

O presente eixo se dedica a pensar as possibilidades de criação e invenção de subjetividades no encontro entre a arte, a educação e a filosofia. Entendendo que os sentidos e significados que damos às coisas e ao mundo são produzidos pela história e pela cultura, a proposta deste eixo é exercitar o pensamento, criar fissuras às verdades instituídas por diferentes práticas discursivas, sociais, políticas e institucionais que compõem nossos modos de ser e estar no mundo. Tensionar e compreender o tempo presente é fundamental para a composição de modos de vidas mais comprometidos com a ética e as estéticas da existência.

 

Eixo 3 – Meio Ambiente e Educação Ambiental (Prof. Dr. Rodrigo Barchi. PPG Educação. UNIB/SP).

O eixo se dedica a pensar as relações entre humano e meio ambiente, atentando para os problemas ambientais de nosso tempo. Toma a Educação Ambiental como uma possibilidade de criação e inventividade diante dos acontecimentos que nos chegam cotidianamente.

 

Eixo 4 – Relações étnico-raciais (Profa. Ma. Laís Gomes. Diaspórica consultoria/SP).

Dedica-se a pensar nas relações étnico-raciais no tempo presente e os embates políticos que se derivam de um mundo que produz suas verdades ainda a partir de um sujeito eurocêntrico e branco. Lança olhar para as discussões empíricas e teóricas que envolvam problematizações sobre políticas públicas, racismo estrutural, branquitude, necropolítica e suas intersecções com gênero, classe, geração e sexualidade.

 

Eixo 5 – História, Feminismos e Subjetividades (Prof. Me. e Doutorando Varlei Couto. UNICAMP).

Trata-se aqui a respeito dos feminismos e de sua história, dando ênfase aos modos como os sujeitos são produzidos em um mundo patriarcal, classista e racista. Investe-se em olhar para a história e busca-se entender algumas das condições de possibilidade da emergência daquilo que somos. Dedica-se ainda na criação de outros possíveis, da inventividade que encontra força nos feminismos e nas subjetividades do presente.

 

Eixo 6 – Corpos, gêneros e diferenças (Profa. Dra. Paula Ribeiro. PPG Educação em Ciências/FURG).

Focaliza as discussões de corpos, gêneros, sexualidades e cultura, dando destaque para a produção de diferenças como potências do existir. Trata dos acontecimentos em cenário nacional e internacional, tensionando a visão patriarcal e reducionista marcada pela heteronormatividade.

 

Eixo 7 – Comunicação e Mídias Digitais (Dra. Clarissa Corrêa Henning. Rádio Com. Pelotas/RS).

Foca nas discussões atuais sobre comunicação na intersecção com as mídias digitais e sua urgência no contemporâneo. Discute as novas linguagens das redes sociais como atos políticos de resistência. Trata dos novos veículos de comunicação como memes, podcasts e outros. Fortalece a comunicação como possibilidade de criação e inventividade no contemporâneo.

 

Eixo 8 – Direitos Humanos e esferas jurídicas (Profa. Dra. Mari Cristina Fagundes. Instituto Racionalidades).

Discute sobre os direitos humanos e suas relações subjetivas na constituição de modos de vida e de subjetividades na contemporaneidade. Investe nas produções sobre instituições, atores e práticas judiciais que discutam os sentidos sociais e as disputas políticas que permeiam o campo jurídico, dialogando com diferentes povos e culturas que compõem a sociedade.

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Minicurso

1- Nem tudo é verdade: educação, filosofia e arte (Profa. Dra. Luciana Loponte. PPG Educação/ UFRGS).


O minicurso pretende apresentar relações entre arte, verdade e educação a partir de discussões filosóficas empreendidas especialmente por Michel Foucault e Friedrich Nietzsche, em interlocução com alguns artistas contemporâneos e seus processos artísticos. Coloca em discussão, a crença desenfreada na verdade e a crença que a ciência e o conhecimento nos possibilita, enfim, chegar à verdade das coisas. Tal crença nos fez esquecer o caráter inventivo e metafórico da relação entre as palavras (os conceitos, os conhecimentos construídos e estabelecidos) e as coisas do mundo (nossos objetos de pesquisa em educação, por exemplo). Algumas produções artísticas aproximam-se despretensiosamente ou não das verdades do mundo, escancarando o caráter inventivo da nossa relação com as coisas, abrindo novas trilhas e modos de pensar. A partir dessas produções, propomos alguns exercícios de pensamento sobre a educação contemporânea.

2- Perceber-fazer floresta: experimentações terrenas e multiespécies (Profa. Dra. Susana Oliveira Dias. Labjor/Unicamp).


Uma floresta é um viver-junto, viver-com, complexo e multidimensional, capaz de gerar ressonâncias e condições de existência afirmativas para muitos. Neste minicurso entraremos em relação com uma perspectiva de perceber-fazer floresta por diferentes materialidades e temporalidades. Sentimos que estes tempos - que têm sido denominados de Antropoceno, Capitaloceno, Chthuluceno, Plantationoceno, intrusão de Gaia, Fim do mundo... - pedem gestos que levem a sério as florestas como intercessoras do pensamento e criação. Nessa busca, proponho articular os conceitos de "terrano", de Bruno Latour, e "multiespécies", de Donna Haraway, para pensar na potência política de diferentes materiais (livros-objeto, ensaios fotográficos, instalações e filmes) de irem além da representação das florestas já existentes. Um compromisso de outra natureza, o de fazer continuar os mundos pelo papel-tela, respondendo ao chamado da floresta: criar vida conectada a esta Terra, criar realidade selvagem. Isso porque uma floresta é um convite a dar atenção a um mundo todo vivo, em constante transmutação, em que não faz sentido pensar em uma matéria inerte, nem em uma excepcionalidade dos humanos. Uma floresta é um chamado a perceber que a luta por uma política da Terra afirmativa e consequente passa (e precisa passar) por simbioses desprogramadas, por conexões inesperadas e responsáveis entre diferentes espécies, lugares, práticas, materiais e procedimentos. Tais possibilidades parece que só podem acontecer quando o humano deixa de ser o centro das narrativas e processos comunicantes, quando o humano se deixa abrir aos devires e povoar por forças terranas e multiespécíficas.

 

3- Racismo e hegemonia no Brasil: a desconstrução da racialização como enfrentamento à modernização conservadora (Prof. Dr. Danilo Morais.  FHO - Fundação Hermínio Ometto - Araras/SP).


A história no Brasil demonstra que as relações étnico-raciais, além de inegavelmente constitutivas de nossa ordem social, também compõem ao menos uma das dimensões da hegemonia de uma modernização e modernismo conservadores, enquanto projeto político-cultural dominante na elaboração da "nação" (vista no singular), desde a abolição formal da escravidão e instauração da república. No mês em que se referência o Dia Nacional da Consciência Negra, discutiremos como o controle e subalternização das pessoas identificadas como não brancas (principalmente os povos indígenas e africanos/as da diáspora) é fundamental a esse modernismo/modernização conservadora, em especial em suas expressões mais autoritárias. Nessa direção, argumentaremos que a desconstrução da racialização – por novas formas de reconhecimento das diferenças –, longe de ser uma questão específica de demandas da população negra e indígena, é no Brasil uma das chaves para o enfrentamento das formas presentes do autoritarismo, ou seja, contribui em larga medida às possibilidades de emancipação social.

 

4- Feminismos e dissidências: dialogando com pensadoras latino-americanas (Profa. Dra. Fabiane Ferreira da Silva – Tuna/UNIPAMPA) e Profa. Dra. Suzana Cavalheiro de Jesus – Tuna/UNIPAMPA).

 

Este minicurso, organizado pelo Grupo de Pesquisa Tuna – gênero, educação e diferença, da Universidade Federal do Pampa, Campi Dom Pedrito e Uruguaiana, ancora-se no debate atual dos feminismos e das visibilidades das populações tradicionais e periféricas. Os elevados índices de feminicídio, de violência sexual contra meninas e mulheres, de homicídios da população LGBTQIA+, de genocídio da população indígena e negra indicam a urgência de criarmos outras práticas de civilidade. Se, por um lado, precisamos produzir conhecimentos sobre como os sujeitos são produzidos em um contexto patriarcal, racista, classista e capitalista, por outro, precisamos promover uma educação democrática e inclusiva, que forme cidadãs(os) conscientes das posições de sujeito que ocupam e comprometidos com a igualdade e a justiça. Desejamos que o minicurso se constitua em potência política e resistência aos avanços conservadores, reacionários e genocidas dos anos recentes. Tomemos o(s) feminismo(s) como ferramenta de transformação social!

 

5- Problematizações contemporâneas sobre a noção de juventude(s). (Profa. Dra. Bárbara Hees Garré. Professora EBTT do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense, Brasil).


O minicurso pretende problematizar alguns discursos veiculados em diferentes artefatos midiáticos da atualidade que vêm fabricando modos específicos de compreender e narrar a/as juventude/juventudes, mote de estudo e análise do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação, Juventude e Subjetividade do IFSUL Câmpus Pelotas (GEEJS). Para tanto, toma-se a mídia enquanto uma potente estratégia pedagógica que ensina, educa e subjetiva os sujeitos para diferentes questões da vida contemporânea.

 

6- Neoliberalismo e governamentalidade: uma discussão sobre direitos humanos e cidadania na contemporaneidade (Profa. Dra. Mari Cristina Fagundes e Profa. Ma. Rafaella Egues da Rosa)

 

O autoritarismo, o desrespeito a direitos básicos de certos grupos populacionais e o recrudescimento punitivo não são novidades no longo caminho da formação democrática brasileira. É nesse sentido que objetivamos, por meio deste minicurso, elaborar um resgate histórico sobre neoliberalismo e governamentalidade, buscando problematizar como os Direitos Humanos são mobilizados como estratégias na gestão governamental, ora emergindo na pauta política como elementos a serem preservados e conquistados, ora como elementos que precisam ser combatidos.

Assim, além de um debate teórico a partir de conceitos como neoliberalismo, governamentalidade, direitos humanos, cidadania e necropolítica, apontaremos algumas legislações que nos mostram as modificações políticas que envolvem a temática dos Direitos Humanos em nível nacional. O minicurso, que terá duração de 2h, almeja contribuir com a promoção dos Direitos Humanos e da Cidadania e visa dialogar com estudantes de graduação e pós-graduação, além dos e das demais interessadas nas temáticas em questão.

Submissão de trabalhos

O encaminhamento de resumos expandidos para o I Seminário Instituto Racionalidades deverá ser feito em português ou espanhol, vinculado a um dos oito eixos temáticos do evento. Os resumos deverão ter entre 800 e 1500 palavras e ser digitado em espaçamento simples, letra 12 times new roman. Deverá seguir o template do evento (disponível na página de inscrição para download), no qual figura os seguintes itens: Palavras-chave; Introdução; Metodologia; Resultados e Discussão; Considerações Finais e Referências. Poderão ser utilizados gráficos, tabelas ou imagens de acordo com as normas da ABNT. Não serão aceitos resumos fora dessas normas. 

SUBMISSÃO DO RESUMO EXPANDIDO


·        O pagamento da taxa de inscrição por todos os/as autores/as é condição para a submissão de resumos.

·        Todos os autores/as devem se inscrever no evento.

·        O envio do resumo será através de formulário de inscrição e submissão do template disponibilizado para submissão dos resumos (word).

·        Cada inscrito poderá submeter até dois resumo expandido, seja na condição de autor ou co-autor.

·        Cada resumo poderá ter até três autores.

·        Poderão ser submetidos à avaliação resumos resultantes de pesquisas e ensaios teóricos.

·        Serão aceitos revisões bibliográficas e pesquisas de campo.

·        O resultado da seleção dos resumos pelo Comitê Científico será publicado no site www.institutoracionalidades.com.br até 06 de novembro 2021. 

CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO

 

A avaliação dos resumos será feita pelos membros do Comitê Científico, considerando os seguintes critérios:

·        Trabalhos resultantes de projetos de pesquisa ou ensaios teóricos;

·        Originalidade e relevância do trabalho;

·        Consistência e rigor na abordagem teórico-metodológica e na argumentação;

·        Os trabalhos devem incluir temática, objetivos, referencial teórico e metodologia, considerações finais e referências;

·        Base epistemológica condizente e adequada ao escopo do evento;

·        Interlocução com a produção da área e contribuição aos eixos temáticos do evento;

·        Adequação a normas da língua escrita.

 

Caso o resumo não seja selecionado para apresentação e publicação, a taxa de inscrição não será devolvida. Os inscritos poderão participar do evento na condição de ouvintes. 

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Inscrição e/ou Submissão de trabalhos

Até 16 de setembro

Até 08 de novembro

Estudantes de graduação e professores/as da Educação Básica

70,00

80,00

Estudantes de Pós-Graduação

80,00

100,00

Professores/as e Pesquisadores/as IES e outros profissionais

100,00

120,00

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